Quando a gente voltar

“Não sei bem o por quê. Mal sei se “por que” para isso existe. Mas o fato é que de tanto planejar e não executar, a gente acaba se jogando aqui de cabeça, num golpe raso de espontaneidade e olhos vendados. Sei lá por qual raio de loucura resolvemos abandonar tudo e refazer a vida do outro lado do mundo, fixar a estaca verde e amarela a treze mil quilômetros de casa, longe dos amigos e inimigos que fizemos, desvencilhando velhos hábitos e costumes, empregos quase sempre quadriculados em escritórios, viciados em números, lucros e cafés. Talvez como você, ainda hoje procuro saber a razão pela qual naquela manhã clichê de novembro, me motivei a tomar uma “dose” cavalar de 32 horas num avião, sem açúcar, com destino à doce Sydney.

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Obrigada, 2015!

Todo final de ano faço uma retrospectiva da minha vida para ver o que fiz e o que deixei de fazer, o que quero mudar e o que quero que continue como está. Nessa época também faço uma lista de tudo o que quero realizar no ano seguinte. Acredito que é uma forma de não deixar meus planos e objetivos para depois e me empenhar para a vida estar sempre melhorando.

Quase desisti de escrever este texto, porque 2015 foi um ano bem difícil e é difícil cutucar feridas. Além disso, qual a graça de contar histórias tristes, não é mesmo? Mas decidi escrever mesmo assim porque a vida de ninguém é só felicidade e depois que mudei para os Estados Unidos recebo muitos comentários e mensagens de como a minha vida é perfeita e de como as pessoas queriam estar no meu lugar.

Coisas que você aprende quando deixa de escutar os outros (e passa a escutar a si mesmo)

No último feriado fiz duas coisas que me fizeram superar limites e me deixaram muito feliz: Participar de uma maratona de 5k e atravessar o estado dirigindo sozinha por quatro horas em direção as montanhas.

Uma coisa que venho aprendendo é que a gente sempre pode ir mais longe, mas nunca chegaremos a lugar nenhum se não tentarmos. E que se realmente é uma coisa que a gente quer, nada e nem ninguém pode dizer o contrário.

Breve carta de despedida

Nossa relação foi boa enquanto durou, eu realmente achei que seria pra sempre. Depois de encontrar você, achei que a busca encerraria e que a vida seria boa pra sempre ao seu lado. Por um tempo foi, a segurança que sempre me deu foi determinante pra que a gente ficasse junto por tanto tempo. Felizmente ou infelizmente todos nós amadurecemos com o passar dos anos e nessa estrada da minha vida, vejo que talvez não tenha mais espaço pra você. É claro que fica a dúvida, nenhuma decisão é fácil, não existe a certeza absoluta e, claro, existe a possibilidade de eu sentir sua falta, de querer te fazer voltar. Desculpe, não me leve a mal, eu te valorizei muito ao longo desses anos e me esforcei pra continuar ao seu lado. Para minha família era uma tranquilidade saber que eu te tinha comigo, mas chegou a hora de eu te dizer tchau. Sou grata por tudo, mas minha vida só vai sofrer a mudança que eu preciso que ela sofra, se eu me despedir de você. Adeus, zona de conforto, foi bom saber a sensação de te ter, agora eu vou ali no desconforto ver o que ele reserva pra mim.

zona-de-conforto

– HRNMNK