Quando a gente voltar

“Não sei bem o por quê. Mal sei se “por que” para isso existe. Mas o fato é que de tanto planejar e não executar, a gente acaba se jogando aqui de cabeça, num golpe raso de espontaneidade e olhos vendados. Sei lá por qual raio de loucura resolvemos abandonar tudo e refazer a vida do outro lado do mundo, fixar a estaca verde e amarela a treze mil quilômetros de casa, longe dos amigos e inimigos que fizemos, desvencilhando velhos hábitos e costumes, empregos quase sempre quadriculados em escritórios, viciados em números, lucros e cafés. Talvez como você, ainda hoje procuro saber a razão pela qual naquela manhã clichê de novembro, me motivei a tomar uma “dose” cavalar de 32 horas num avião, sem açúcar, com destino à doce Sydney.

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