Vida de au pair – Experiências

Antes de ser au pair eu tinha um pensamento e quando cheguei vivi coisas completamente diferentes. Desde dificuldades que ouvia outras meninas falarem mas achei que nunca aconteceriam comigo, até coisas incríveis que esqueceram de me contar. Claro que cada pessoa tem uma experiência, então sem comparações. Mas nada como conversar com as próprias au pairs para saber como é o dia a dia. Por isso, juntei quatro meninas com idades e histórias diferentes, mas que todas mostram o lado bom e o ruim da vida de au pair. Vem ver!

LAIS SOUZA, 27 anos. Está no primeiro ano de au pair em Arlington,VA. Está aproveitando o intercâmbio mas confessa que às vezes não é nada fácil.

1. Como está sendo a vida de au pair?

Eu queria ter a oportunidade de viver algo diferente, quebrar minha rotina, sair da casa dos meus pais e viver em outro país e o programa tem o melhor custo benefício, mas nunca sonhei em ser au pair. No começo eu amei tudo e tinha certeza que ia ficar por dois anos e talvez não voltar mais para o Brasil, me dei bem com as kids e me adaptei bem com a família.  Depois de três meses vi que não era assim tão fácil, que ficar muito tempo com a host family poderia ser uma tarefa difícil. Quando percebi isso busquei estudar, viajar, sair com amigas e comecei a namorar, o que ajudou muito.

2. Você pensa em estender para o segundo ano?

Sim, penso nisso todos os dias mas ainda não decidi, pois tenho uma lista de considerações. Se eu estender será com a mesma família. Tenho namorado aqui e também não gostaria de começar tudo de novo… Amizades, adaptação com a família, clima etc.

3. Qual a melhor parte de ser au pair?

Crescimento pessoal (superação de limites e paciência). Também fiz amizades que quero levar para a vida. Quando você está longe de casa, as pessoas que você conhece e cria afinidade acabam virando sua família, porque seus amigos ou sua família no Brasil nunca vão entender os momentos ruins que você passa aqui, eles sempre vão dizer que você reclama demais, que estar fora do seu país é incrível, ainda mais com a crise que está acontecendo. Só quem realmente está na mesma situação que você vai entender, então essas amizades acabam sendo muito importantes.
Minha família está vindo me visitar e me sinto a pessoa mais especial do mundo por recebê-los e saber que dei o primeiro passo para que eles pudessem conhecer outra parte do mundo.
Além disso, o relacionamento com as kids acaba sendo incrível, apesar de muito difícil. Outro dia fui buscar os meninos na escola e quando entrei na sala de um deles vi que ele estava distraído, olhando alguma coisa pela janela, enquanto isso a professora estava me entregando a mochila dele. Quando ele virou e me viu na porta, saiu correndo e gritando “Hi, Lais!” e me deu um abraço. Ele nunca tinha feito isso antes e ganhei o dia. A gente acaba criando uma relação de carinho com eles.

4. Qual a pior parte de ser au pair?

A saudade de casa, morar com pessoas que você não conhecia, com uma família que não é a sua e as kids quando desobedecem, tacam as coisas, gritam etc.

5.  Se você pudesse mudar alguma coisa no programa, o que mudaria?

Se eu pudesse mudar algo faria com que as famílias entendessem que au pair é para cuidar das crianças e não da casa.

Camila Kister

CAMILA KISTER, 26 anos. Está no segundo ano de au pair em São Francisco, CA. Está amando a experiência e tentando aproveitar ao máximo.

1. Como está sendo a vida de au pair?

Ser au pair foi a melhor coisa que me aconteceu. Sempre sonhei conhecer os EUA, aprender inglês e viajar bastante e o programa está me proporcionando tudo isso. Cheguei com o inglês intermediário e agora estou com o inglês fluente, conheci 16 estados só no meu primeiro ano e minha lista só está aumentando. Mas, ser au pair também não é só felicidade. No começo a rotina era muito difícil, eu trabalhava muito, cuidava de três crianças, com a host mom em casa e com um schedule bem cheio, trabalhando inclusive nos finais de semana. Tudo isso me fazia ficar bem cansada deles, tinha dias que eu não queria vê-los então ficava no meu quarto em todo o meu tempo off e não saia nem pra comer. A saudade de casa também não é nada fácil, os piores dias para mim são Natal e Dia das mães, fico bem chateada e só penso que queria estra no Brasil. Mas o Skype ajuda bastante, falo com a minha mãe pelo menos três vezes por semana e acho que com o tempo você aprende a viver distante.

2. O que você sentiu de diferente do primeiro pro segundo ano, de bom e de ruim?

A diferença é bem grande mas a principal delas pra mim é que no segundo ano eu me sinto muito mais cansada, sem paciência. Ser babá de criança não é o que eu quero da minha vida, me sinto uma dona de casa e sinto muita falta de ter um trabalho de verdade. Outra coisa é que fiquei muito mais desleixada comigo mesma, no começo me arrumava e queria estar bem todos os dias, mesmo que fosse para ficar em casa, agora eu ando de pijama o dia todo hahaha.
O bom é que estou muito mais acostumada com a vida nos EUA, sinto que tudo é mais fácil agora e que eu me viro muito melhor sozinha.

3. Você estendeu o segundo ano com a mesma família? Por que?

Não, eu estendi com outra família. Foi uma decisão muito difícil mesmo porque eu era muito amiga dos meus antigos hosts. Mas eu morava em Massachusetts, a 40 minutos de Boston e tudo era longe, mesmo de carro. Uma das crianças que eu cuidava era terrível, mal educado, tentava me bater e me tirava a paciência até eu chorar de raiva. A mãe ficar em casa e meu schedule completamente louco não me deixavam ter muita liberdade pra fazer minhas coisas. Nós choramos muito quando eu decidi mudar, mas mesmo assim eles foram muito amigos e até me ajudaram a encontrar uma nova família. Hoje moro em São Francisco, CA, cuido só de uma criança, shcedule mais tranquilo e não moro na casa da host family, como eles são donos do prédio, eu tenho um apartamento só pra mim, liberdade total. Além disso, aqui eu posso ir pra qualquer lugar que eu quiser porque tudo é perto.

4. Qual a melhor parte de ser au pair?

Poder morar em outro país, não se preocupar em ter que pagar aluguel, comida e outras despesas mensais e ainda ganhar um salário pra poder viajar e se divertir. É como se fosse uma pausa na vida real pra curtir, sem se preocupar com nada. Além de tudo me sinto muito mais independente pra tudo.

5. Qual a pior parte de ser au pair?

Não ter um emprego de verdade, se sentir dona de casa mas não na sua própria casa. É trabalhar e viver com os seus chefes, sem folga já que eles moram na mesma casa que você. Às vezes você está estressado e de saco cheio, mas mesmo assim está sorrindo pra não deixar o clima chato. É ser mãe de um filho que não é seu e saber que mesmo amando eles de verdade no próximo ano uma nova au pair irá te substituir e ganhar o coração deles também.

6. Se você pudesse mudar alguma coisa no programa, o que mudaria?

Eu mudaria o salário que acho bem injusto pela responsabilidade e quantidade de coisas que a au pair faz. E também mudaria o fato da agência só exigir um final de semana de folga por mês. Trabalhamos muito, já estamos sem a nossa família por perto e deveríamos ter mais tempo para estar com amigos. Quem tem folga no meio da semana raramente consegue conciliar com as de outras pessoas e sair.

DANIELE NASCIMENTO, 24 anos. Mora em Gaithersburg, MD, passou por rematch, viveu momentos ruins e garante que ser au pair não é pra qualquer uma, mas que no final tudo vale a pena. 

1. O que aconteceu na sua experiência como au pair? Como foi o seu rematch?

 O meu processo para vim para os Estados Unidos aconteceu muito rápido. Em cinco dias eu já tinha uma família e estávamos entrando em match. Falando assim pode parecer prematuro, apressado, mas conversei muito com eles, fiz mais de 50 perguntas e tive o famoso feeling. Assim que eu cheguei na casa me senti muito mal, energia estranha e naquele momento já sabia que não ia dar certo. Fiquei na casa por dois meses e foram os piores meses da minha vida, eu chorava muito, a casa era muito pequena, muito suja, eles não me deixavam usar o carro, tudo era longe e eu estava gastando todo o meu salário com Uber ou tinha que ficar dependendo de carona para fazer qualquer coisa. Eu tinha que cuidar de duas crianças e dois cachorros, eu não tinha privacidade e nem paz, a porta de entrada da casa ficava do lado da porta do meu quarto, então imagina o caos.  A gota d’água foi quando eles me mandaram um e-mail com as instruções da casa e uma das regras era que eu estava proibida de abraçar as crianças. Sério? Eu pedi rematch mas a minha LCC me pediu para esperar 15 dias e tentarmos uma reconciliação. Vendo que eu não ia desistir, a host family foi e pediu o rematch  também e a LCC aceitou. O maior problema de todos é que a família pediu o rematch bem no feriado de Thanksgiving (Dia de ação de graças), a pior época para encontrar uma família nova. Eu conversei com a minha diretora da agência, não mais com a LCC, porque eu realmente estava desesperada e pedi que esperassem o feriado passar. Felizmente ela acabou aceitando. Na minha primeira semana online para rematch apareceu uma família que adorei. Tinha fotos da casa, e-mails e muitas formas de mostrar que eu o que estava acontecendo era realmente insustentável, então eles também acabaram gostando de mim e fechamos.

2. Como é a sua atual família? O que mudou? 

Fiz uma ótima troca. Cuido de duas meninas (2 e 4 anos) que se apegaram muito a mim. Os pais são muito tranquilos, a casa é grande, eu tenho a minha privacidade, divido o carro com a host mom, tenho bastante amigas, tenho saído e aproveitado muito mais. Claro que eles também tem defeitos, assim como eu também tenho mas estamos sempre conversando e tentando ajustar.

3. Você se imaginou passando por um rematch?

Eu achava que isso poderia acontecer com todo mundo, mas nunca imaginei que seria comigo. Nessa hora passam mil coisas na sua cabeça e eu me perguntava o tempo todo porque aquilo estava acontecendo comigo, porque eu tinha sido a escolhida. As decisões tem que ser tomadas rapidamente e sua vida pode mudar em um segundo, pra melhor ou pra pior, e isso você só vai descobrir depois. Mas esse período foi importante, eu amadureci muito e também pude aprender como as coisas realmente funcionam por aqui.

4.  Qual a melhor parte de ser au pair?

Poder olhar para si mesmo bem de perto e ir descobrindo a cada dia quem você é e olhar para a sua família que está tão longe e valorizar, perceber o quanto eles te fazem falta. Sem contar a absorção de outra cultura, facilidade em comprar muitas coisas, fazer amizades, conhecer lugares, aprender outro idioma. Isso é simplesmente incrível.

5. Qual a pior parte de ser au pair? 

Morar onde você trabalha. Tem dia que eu só queria ficar em silêncio, outro que eu queria cozinhar escutando minha música favorita no último volume, trazer minhas amigas em casa e ficar no sofá vendo televisão, mas não é a minha casa. E ah, ter que dividir o carro também é bem ruim.

6. Se você pudesse mudar uma coisa no programa, o que mudaria?

Eu aumentaria o salário e diminuiria a carga horária de trabalho. Pode parecer piada mas a gente faz muitas coisas e 45h acaba sendo exaustivo e o salário não condiz com tudo isso.

Dominic Esther

DOMINIC ESTHER, 23 anos. Ficou três meses como au pair em Accokeek, MD. Viveu o que precisava, acabou desistindo do programa e voltando para o Brasil.

1. Como foi a sua experiência como au pair?

Foram os três meses mais longos da minha vida, chorei quase todos os dias. Logo que cheguei na casa da host family fiquei decepcionada, percebi que eles omitiram muita coisa sobre o meu quarto, banheiro e até que já tinham tido duas au pairs antes de mim. Eles disseram que eu poderia usar o carro e também nunca pude. Além disso, trabalhei muito nos meus três primeiros dias, o que me assustou bastante. A agência pede que a família use esses dias para a au pair descansar do treinamento, arrumar as coisas, conhecer a cidade e se habituar com a família, e comigo foi bem diferente.

2. O que te motivou a ir para o programa au pair?

Eu estava me sentindo estagnada no Brasil. Não estava feliz com a minha faculdade e namoro e estava completamente sem perspectiva para o futuro.

3. Qual a melhor parte de ser au pair?

A facilidade de viajar e comprar coisas que no Brasil são caríssimas, conhecer pessoas, melhorar o inglês, aprender a controlar as emoções e acima de tudo aprender a valorizar o que você tem no seu país. Aprendi a ser grata pela minha família, faculdade e amigos verdadeiros.

4. Qual a pior parte de ser au pair?

Falta de privacidade, ingratidão e quebra das regras do programa.

5. Se você pudesse mudar uma coisa no programa, o que mudaria?

Os deveres da au pair. Nem as próprias mães conseguem cuidar das crianças sozinhas, imagina uma au pair, nova, que nunca foi mãe, cuidando de crianças e ainda tendo que limpar a casa, lavar roupas (todo dia, no meu caso), trocar roupas de cama, lavar louça, cozinhar etc.

6. Como foi voltar pro Brasil?

Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Quando você desiste do programa precisa pagar pela passagem de volta, então eu comprei e avisei os meus hosts que estava voltando. Chegar no Brasil foi incrível, me senti plenamente feliz e segura, uma sensação maravilhosa. Eu vivia no Brasil sonhando em morar fora e acho que não poderia passar por essa vida sem experimentar isso e acredito que três meses foram mais que suficiente. O suficiente para aprender que amo o meu país, minha cultura, meus costumes. Voltei para a minha faculdade mais determinada e responsável. Me encontrei dentro de mim e percebi que bem material nenhum pode substituir o que realmente é essencial na vida.

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